Madame Satã e seus “amigos”

Entre abril e maio do ano de 1971, João Francisco dos Santos, vulgo Madame Satã, concedeu a’O Pasquim uma entrevista. O lendário malandro da Lapa, que ao todo puxou vinte e sete anos e oito meses de cana, falou sobre inúmeros assuntos. Ressaltamos aqui os trechos em que João Francisco fala sobre alguns dos mais famosos criminosos da história do país no século passado.

Feliciano – segundo o entrevistado, foi o criminoso mais bárbaro que conheceu. Matou o sogro e botou fogo. Preso, quase todo ano matava dois na penitenciária. Seu último assassinato foi o de Gregório Fortunato, o anjo da guarda do ex-presidente Getúlio Vargas.

Segundo a Wikipédia, em 23 de outubro de 1962, Gregório Fortunato foi assassinado na penitenciária Frei Caneca, no Rio de Janeiro, pelo também detento Feliciano Emiliano Damas, considerado por muitos como queima de arquivo, já que o “Anjo Negro” escrevera um caderno de anotações, único objeto de sua propriedade,  que desapareceu na prisão após sua morte. Ainda segundo Madame Satã, Feliciano teve fim trágico: 67 facadas!

Gregório Fortunato, o Anjo Negro, era conhecido de Madame Satã desde São Borja. “Eu era muito amigo da família Mostadero, lá do Rio Grande do Sul. O capitão Mostadero veio a ser diretor da penitenciária várias vezes, e eu ia sempre lá passear. O Gregório era cocheiro do pai do falecido Getúlio.”

Meneghetti – Gino Amleto Meneghetti (Pisa, 1 de julho de 1878 — São Paulo, 23 de maio de 1976) foi um criminoso italiano que, radicado no Brasil, ganhou fama ao ter seus feitos noticiados pela imprensa — de forma muitas vezes sensacionalista — chegando ao ponto de ser tachado pelos jornais de “o bom ladrão” e “o maior gatuno da América Latina”. Foi apelidado também de “gato de telhado”, devido a sua facilidade de se locomover pelo telhado das casas para fugir dos cercos das autoridades. (Fonte: Wikipédia). Na entrevista ao Pasquim, João Francisco afirma que Meneghetti não era marginal. Era ladrão de joias!

Febrônio Índio do Brasil – no resumo do verbete da Wikipédia, Febrônio Índio do Brasil (Jequitinhonha, 14 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1984) foi um assassino em série brasileiro. Madame Satã insiste na entrevista que seu nome era Índio Febrônio do Brasil. Afirma ainda que se tratava de um dentista, morador da avenida Gomes Freire, no Rio de Janeiro e que se dava muito bem com ele.

Pedrinho do Catete – João Francisco conta que também se dava bem com este famoso assassino. A Wikipédia não registra o apodo “do Catete”, mas encontramos o verbete “Pedrinho Matador”, que provável, trata-se da mesma pessoa: Pedro Rodrigues Filho, vulgo Pedrinho Matador (Santa Rita do Sapucaí, 17 de Julho de 1954) é um assassino em série brasileiro. Segundo matéria publicada na UOL em 10 de dezembro de 2018, Pedrinho foi o maior serial killer do Brasil e virou comentarista de crimes, fazendo sucesso.

Já em uma matéria de 13 de junho de 2018, da revista Super Interessante, Pedrinho é chamado de “o garoto que comeu o coração do próprio pai”.

Ao fim da entrevista, Madame Satã é perguntado sobre o que achava do presidente Getúlio Vargas. “Foi quem mais favoreceu a classe pobre do Brasil, mas o que mais aniquilou o país”! Sobre Luís Carlos Prestes, líder comunista histórico, João Francisco diz que o conheceu na prisão, O chama de general e de grande companheiro!

Em meio a entrevista, o famoso malandro não deixa por menos: “Satã só tem eu no Brasil inteiro”. Naturalmente nunca tinha ouvido falar do famoso cangaceiro João Satã, convertido por Antônio Conselheiro em João Abade, e que foi o grande comandante militar das forças revoltosas de Canudos, tendo derrotado as três primeiras expedições punitivas do Exército Brasileiro.


Pesquisa e redação de Sergio Papi

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *