NP: o jornalismo popular que virou cult

O Notícias Populares, popularmente conhecido como NP, foi um jornal que circulou em São Paulo entre 15 de outubro de 1963 e 20 de janeiro de 2001. Chegou a vender 400 mil exemplares por dia, praticamente de mão em mão, durante o Plano Cruzado, por misturar reportagens econômicas, questões trabalhistas, com criminalidade, nudez e sexo.

Curiosamente, foi criado por um romeno, Jean Melle, na cidade de São Paulo de 1963, e continuado por um brilhante editor, descendente de árabes, Ebraim Hamadan. Ambos fizeram a leitura da alma do trabalhador e do lúmpen morador da capital, e editaram por quase 40 anos, o jornal popular mais comprado do Brasil. O jornal era publicado pelo Grupo Folha, mesma empresa que publica os jornais Folha de S.Paulo e Agora São Paulo, anterior Folha da Tarde.

Por que Histórias da Boca

Histórias da Boca era uma coluna do extinto jornal Notícias Populares e nasceu como uma referência à Boca do Lixo, conjunto de ruas da região central de São Paulo, localizada no bairro da Luz, que notabilizou-se por ter abrigado a zona do meretrício e um polo cinematográfico importante, que entre os anos 60 a 80, tornando-se reduto do cinema independente brasileiro.

Claro que o NP preferia este viés da marginalidade, pois a Boca, atraídos pela exploração da prostituição e do tráfico de drogas, também se notabilizou por abrigar famosos marginais, como Hiroíto Conegundes, o Rei da Boca do Lixo ou o Quinzinho, todos cafetões, delinquentes e, eventualmente homicidas, que frequentavam as páginas policiais dos jornais da época.
Muitos cineastas, como Carlos Reichenbach, Luiz Castelini, José Mojica Marins, Alfredo Sternheim, Juan Bajon, Cláudio Cunha, Julio Bressane, Rogério Sganzerla ou Walter Hugo Khouri, surgiram nas produtoras nacionais que se instalaram na região.

Nos anos 1990, parte da área da Boca do Lixo se transformou na Cracolândia, local de intenso consumo de drogas, o crack (porisso o nome), e se tornou uma da regiões mais degradadas da cidade de São Paulo. No jornal, as Histórias da Boca foram escritas pelos jornalistas Antonio Marcos Soldera, que inicia a esta série e também pelo falecido poeta Julio Saraiva.

(por Simão Zygband)

Leia a crônica de Antonio Marcos Soldera: Praga de mãe

Um comentário em “NP: o jornalismo popular que virou cult

  • 20 de março de 2019 em 19:43
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    Acompanhava de longe as façanhas jornalísticas desse saudoso órgão de imprensa. Buscava um público proletário, haja visto ser o único da grande imprensa a ter uma coluna sindical.

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